domingo, 9 de outubro de 2011

Da minha melhor parte

São 22 anos, estou assustada. Ainda lembro de brincar com minhas bonecas e do meu pai lendo gibis da Turma da Mônica pra mim quando nem isso eu sabia fazer.

Andei pensando muito em tudo que já passou nesse tempo e cheguei a conclusão que muita coisa aconteceu e, sob outro ângulo, quase nada. Confuso, eu sei, mas explicável.

Pareço ter passado por circunstâncias tão duras e, ao mesmo tempo, conheço "pouco do mundo". As situações conturbadas me fizeram crescer e, de uma certa forma, agradeço por isso. Por outro lado, me tornei uma pessoa mais amarga, medrosa, como se fosse uma proteção, uma armadura. Muito do belo que havia em mim desapareceu, eu sei.
O novo nunca me atraiu muito. Gosto do certo, da rotina, da vida sem aventuras. Sou libriana. Nesses quase 22 anos preciso realmente destacar algumas pessoas. Preciso homenagear quem me equilibra, aqueles que me sustentam.

Começo por quem é da casa. Como esquecer do peixe frito e do ronco do meu pai? Sem chances. Como esquecer dos gritos da minha mãe e do frio na barriga quando ela gritava: DUAAAAAAAAAANNY! E do Danny dando trabalho desde sempre?

Minha infância foi bonita. Tive uma família, coisa bonita é família. Nunca tive almoços enormes de domingo, mas tinha meu pai bebendo de um lado, minha mãe cozinhando de outro e meu irmão soltando pipa. E isso me bastava. Sempre me contentei com pouco caso ele fosse verdadeiro e bonito.

Tive amigos também. Geiza, Lúzia, Yuri, Gabriela ficam guardados na memória eterna.
Já em Goiânia, me apoio em Nayara, Raíssa, Camila, Kamila, Gabriela, Fernando. E, de um lado bonito do meu coração, guardo Brasília e Anápolis, com meus 'mestrandos' e guias.

Guardarei e levarei vocês pelos próximos 22, 44, 66 ou 88 anos.

Vou guardar e contar tão bonito quanto foram todos os fatos e nossa amizade. Guardarei o sentimento mais puro e belo que pude provar, aquele que vem com sinceridade. Contarei as poucas vezes que passei por cima do meu orgulho e que valeu muito a pena. Contarei com o sorriso largo estampado no rosto, porque podem me tirar o brilho dos olhos e substituí-lo por lágrimas, mas pra vocês eu sempre terei reservada a minha melhor parte.